Lição 54-Resumo Geral e Introdução ao Vimshotari 

Friday, October 09, 2009 2:19:00 PM

 

Vimsottari e Udu Dasas – A chave de Parasara para previsões 

por Sanjay Rath

Prece

Om Gananam twa ganpati havamahe Kavimkavina mupamashravastarm

Jyestharajam Brahmanam Brahmanaspata aanas-shrunvotibhi-seedhasadhanam

Om Sri Maha Ganapataye Namah

Tradução: Oh! Ganesha, Senhor de todos os oraculistas, uma prece seja oferecida a Ti; Tu és Onisciente e a inigualável sabedoria do sábio. Tu és o precursor (Om) de todas as preces e o Senhor de todas as almas; nós rezamos por Teu direcionamento para o sucesso em todas as boas ações. 

Significado das palavras: Saraswati: derivado de ‘Sarasah’ significando (a) cheio de Rasa ou néctar (As + Rasa). Existem sete Rasa’s que levam a criação física de todos os seres. Estes sete Rasa são os Senhores do saptamsa (divisão por um sétimo) de um signo. Assim, Saraswati é a mãe de toda a criação e é também referida como a Bhu Devi, ou Mãe Terra. (b) Recomendável discurso iluminador nascido de perfeito saber e de verdadeira compostura. Portanto, Saraswati é aquele que concede tal discurso exemplar [surgido de verdadeira compostura e conhecimento (de todas as artes, engenharias e ciências)] e é referido como Bharati; Pavaka: Puro, claro, brilhante e esplendoroso como Agni (fogo); iluminador; n. Pavakaa iluminador.

Om Tat Sat

 

Prefácio

Compreendendo Parasara

      Compreender Parasara tem sido o objetivo de minha vida e enquanto caminhamos esta estrada circular e tediosa, nós descobrimos que há muito mais do grande Guru do que conseguimos abstrair até então. Há uma profundidade no pensamento que até então não fora escrito ou falado em lugar algum, e este livro é uma tentativa de explicar algumas partes do Brihat Parasara Hora Shastra, ao menos o capítulo relacionado aos dasas. Apesar de aparentemente fácil, o Vimsottari dasa é marca d’água mais alta do Brihat Parasara Hora Shastra. Este livro vai às partes intricadas do Vimsottari e outros dasa planetários baseados em nakshatra (udu dasa) para trazer à mostra sua necessidade e maneira de utilizar. Freqüentemente ignorados e rejeitados como “incorretos”, estes dasas têm caído em desuso devido aos efeitos de Kali Yuga. Com o advento de um tempo cíclico satya bem pequeno de 480 anos a partir do ano 2000 (aproximadamente), este conhecimento está a caminho de seu rejuvenescimento e deverá novamente se tornar visível para o uso neste mundo.

Razões para Segredos

      Ao invés de culpar a tradição por esconder coisas indiscriminadamente, é necessário entender as razões que levam a isso. Conhecimento que pode causar sofrimento ou que pode ser mal utilizado por astrólogos inescrupulosos foi mantido em segredo pelas famílias associadas à tradição da Jyotish. Como ilustração, tem-se o Moola Dasa, o qual se aprofunda no Karma do passado e trás o período exato em que os efeitos de maldições e o Karma ruim irão frutificar. Este conhecimento pode ser mal utilizado por astrólogos ruins, que poderiam começar a contar todos os tipos de histórias para extrair dinheiro de clientes crédulos, sendo o resultado em cadeia o manchar da reputação da Jyotish.

      Nós disponibilizamos muitos segredos da tradição neste livro e, ao fazê-lo, sofreremos o risco de pecar se este conhecimento for mal utilizado. Nós os damos com a prece de que não seja mal utilizado. Outra razão para disponibilizá-los é que em um livro entitulado Mandooka Dasa, o Lagna Kendradi Rasi Dasa foi ensinado. Mandooka é um sistema dasa totalmente diferente. Após debater por muitos anos os benefícios e malefícios de se manter este conhecimento um segredo, nós sentimos que o silêncio é a causa de dúvida e má compreensão como ensinado no aforismo Sanskrito “maunam sammati lakshanam”. Primariamente porque ele se aprofunda em nascimentos passados e nos ajuda a ganhar uma melhor compreensão de nós mesmos e as causas de tanto sofrimento, sua chegada e seus remédios. Manter-nos em silêncio em face de ensinamentos e declarações que nós não podemos concordar é aceitá-los como corretos. Nos melhores interesses da tradição da Astrologia Védica, é melhor doar o que nós sabemos para que o mundo como um todo possa debater os méritos deste grande conhecimento dos oraculistas.

 

 

O Livro

      Apesar de originalmente planejado para 16 capítulos, esta primeira edição está dividida em 14 capítulos que cobrem os fundamentos da Astrologia Védica, o paradigma do nakshatra e também cada um dos Udu dasa individuais. Um capítulo independente é devotado à escolha do dasa, o como e pórque escolher o dasa correto para uma carta enquanto considerando os vários critérios bem como as opções variantes, passo a passo. O julgamento dos dasa inclui os princípios, em geral usados para a leitura da mensagem das cartas e descobrindo o tempo dos eventos que o drama da vida deve mostrar.

      Os apêndices incluem uma discussão da filosofia e matemática por trás do Vimsottari dasa. A ordem dos outros dasa e suas matemáticas foram explicadas em capítulos dedicados a cada um. Uma vez que o Vimsottari é o melhor, um cuidado foi tomado para explicar a filosofia e lógica em maiores detalhes no apêndice. Outro apêndice apresenta as tabelas para calcular o equilíbrio do dasa, e o período maior e sub-períodos de cada um dos dasa. O apêndice do FAQ inclui algumas questões interessantes sobre o uso de dasa, calendários etc. Leitores podem enviar suas dúvidas à este ponto e nós tentaremos assinalá-las em edições futuras.

      Quando e se o tempo e espaço permitirem, nós incluiremos os sete capítulos restantes em uma edição subseqüente. Não há nada ‘original’  em relação a nosso trabalho, uma vez que estamos apenas tentando sermos sinceros servos do grande astrólogo Parasara. Quaisquer omissões que surjam neste livro são somente nossa culpa  podem ser atribuída a nossa inteligência deficiente que luta para decifrar os ensinamentos dos Sábios Védicos.

 

 

Jyotish Foundation

    1. Dasa: Tempo e estado

   A palavra ‘Dasa’ possui vários significados e é única para a astrologia dos Hindus. É definida como o estado, condição e circunstâncias de existência de um corpo, ambos animados e inanimados, durante períodos pré-definidos de sua vida como predestinados pelas posições dos planetas, estrelas e outros corpos celestiais no zodíaco na hora de sua concepção ou nascimento. É uma maneira de aperfeiçoar previsões e descreve o destino de todos os seres criados baseados na configuração dos planetas no céu no momento de sua concepção ou criação e uma bem definida linha do tempo com os planetas, estrelas, signos e outros elementos variáveis como ‘som’, Tatwa, etc.

   Os sábios Védicos presentearam-nos com alguns excelentes sistemas Dasa sem se importar em explicitamente mencionar suas razões mais básicas assim como o sabor de um pudim se encontra no ato de comê-lo. Maharishi Parasara menciona trinta e dois sistemas Dasa e Maharishi Jaimini adiciona em suas estrofes codificadas características no Upadesa Sutra sugerindo que muitos destes devem ter sido guardados em segredo. Kalyan Verma aplaude o Moola dasa. O grande número e versatilidade destes sistemas dasa é suficiente para assustar o mais brilhante dos astrólogos Védicos e torna ainda mais necessário que se tenha alguma medida para determinar suas validades individuais.

      1. Nomenclatura

     As potências natais das variáveis dos sistemas de dasa, como planetas, estrelas, signos etc, manifestam-se durante o curso da vida em uma ordem predefinida e pode manifestar-se nesta presente encarnação, dependendo da linha de tempo fixada para elas e a longevidade do corpo. Os períodos cíclicos seguem um padrão ordenado e têm um ciclo de duração total fixado chamado ‘Param Ayus’ (lit. longevidade máxima) o qual é freqüentemente (mas não sempre) a base de sua nomenclatura. Por exemplo, Vimsottari literalmente significa ‘120’ e o Vimsottari Dasa possui uma duração cíclica total de 210 anos, o qual é também seu Param Ayus; Ashtottari significa ‘108’ e o Ashtottari dasa possui uma duração cíclica total de 108 anos, que é também sua Param Ayus; Shodasottari significa ‘116’, e o Shodasottari Dasa possui um ciclo de duração total de 116 anos, que também é se Param Ayus. Bepin Behari, um notável astrólogo Védico assinala “as razões dos números totais de anos da duração cíclica, a seqüência de regentes planetários bem como os períodos de suas regências é ainda um segredo bem guardado não conhecido”. Pela primeira vez as bases do Vimsottari Dasa foi discutida neste livro. Todo ciclo possui períodos fixos ou variáveis, maiores ou menores, regidos por seus vários elementos (planetas, estrelas, signos etc). Todos os sistemas Dasa possuem uma nomenclatura padrão para este propósito, que seguem abaixo:

  1. Os maiores períodos em cada sistema Dasa são chamados Mahadasa, ou simplesmente dasa,
  2. Sub-períodos (segundo nível de período cíclico dentro de um período maior) são chamados Antardasa ou Bhukti,
  3. Sub-sub-períodos (terceiro nível de período cíclico dentro de um período de segundo nível) são chamados Pratyantardasa,
  4. Sub-sub-sub-períodos (quarto nível de período cíclico dento de um terceiro nível) são chamados Sookshmadasa,
  5. Sub-sub-sub-sub-períodos (quinto nível de período cíclico dentro de um quarto nível) são chamados Pranadasa e
  6. Sub-sub-sub-sub-sub-períodos (sexton nível de período cíclico dentro de um quinto nível) são chamados Dehadasa.

 

 

    1.1.2 Classificação

   Os sistemas dasa podem ser classificados por vários métodos, que incluem:

    1.1.2.1 O Param Ayus ou longevidade máxima:

    Param Ayus do Vimsottari Dasa é 120 anos, o do Ashtottari é 108, Panchottari 105, Shodasottari é de 116 etc. Kalachakra Dasa possui quatro Param Ayus diferentes para os quatro grupos de constelações. O Narayana Dasa possui um Param Ays de 144 anos, enquanto que o Shoola ou Navamsa Dasa é de 106 anos etc. Também existem alguns dasa de validade muito curto, como o Yogini Dasa com um períod de 36 anos que cabe no Ayur Khanda (porção da longevidade) como determinado por outros métodos.

    1.1.2.2 O Dasa variável:

    Todo ciclo de dasa possui períodos maiores regidos por seu planeta, estrela, signo ou outros elementos variáveis. Estes elementos variáveis que definem os períodos são considerados superiores se são alguns dos 33 Devas ou inferiores, se de outra maneira.

    1.1.2.2.1 Variáveis Planetárias:

    O Vimsottari, Ashtottari e outros dasa têm os planetas (Graha) como regentes dos maiores e menores períodos e são chamados Graha dasa, e podem ser:

    1. Todos os nove planetas chamados Nava Graha (Vimsottari dasa),
    2. oito planetas (Ashtottari – exclui-se Ketu, Shodasottari – exclui-se Rahu, Dwadasottari – exclui-se Vênus etc.), ou
    3. sete planetas (Panchottari, Satabdika, etc, dasas – exclui-se Rahu e Ketu).

    1.1.2.2.2 Variáveis estelares:

    Os 27 (ou 28) Nashetra podem ser utilizados para definir o regente dos períodos maiores e menores do sistema dasa. O Tara dasa, derivado do Vimsottari Dasa e outros, tal dasa utiliza estes Nakshetra como períodos maiores e menores.

 

 

    1. Rasi: Os Signos e Casas

   O zodíaco consiste de doze signos, 30 graus cada cobrindo um total de 360 graus. Estes são chamados os doze Signos Solares (Dwadasa Aditya). Estes signos são fixados no espaço (ao contrário do utilizado na astrologia ocidental) apesar de que os nomes e outros significados, natureza etc são similares aos utilizados na astrologia Ocidental.

    1. Tithi: data Védica

   Tithi é a data Védica do calendário Lunar e é a medida de distância entre o Sol e a Lua começando de Pratipada quando eles ficam conjuntos emPoornima quando eles se opõem em 180 graus. Existem 15 Tithi no Sukla Paksha (Fase Crescente) e 15 Tithi na fase minguante (Krishna Paksha). Cada Tithi é um ângulo de 12 graus. Este ângulo é matematicamente representado como: Ângulo = Longitude da Lua – Longitude do Sol e, Tithi = Ângulo / 12º.

   O Tithi são representados com um prefixo ‘S’ ou ‘K’ indicando Sukla Paksha ou Krishna Paksha respectivamente para as fases crescentes e minguantes da Lua. Em adição, um número entre 1 a 15 indica a data Védica no Paksha particular. Sendo assim, S-1 seria o primeiro Tithi na metade brilhante do mês Lunar enquanto K-9 seria o nono Tithi na fase escura do mês.

   O Tithi regendo um dia é normalmente o Tithi prevalecente no nascer do sol. O Tithi no momento de nascimento ou em um evento durante o dia não necessariamente precisa ser o Tithi prevalecente ao nascer do sol uma vez que o tempo que a lua leva para cobrir um Tithi é um pouco menos que um dia (i.e. o mês Lunar é aproximadamente 29.5 dias solares).

   Os Tithi são regidos pelos oito Chara karaka (de Sol a Rahu). Entretanto, a 15ª Tithi da metade escura é regida por Rahu ao invés de Saturno.

    1. Drishti: Olhar de signos e planetas

   Os planetas e signos possuem um olhar ou habilidade de influenciar/decifrar as leituras de outros corpos (signos/estrelas ou planetas estacionados à certa posição de onde estão).

      1. Graha drishti (olhar planetário)
        1. Graha drishti (olhar planetário) é uma expressão de um desejo, enquanto Rasi Drishti (olhar do Signo) é uma expressão de conhecimento.
        2. Todos os planetas, exceto Ketu – o sem cabeça, têm olhar (NT: Existem controvérsias entre os astrólogos em relação a esse ponto, pois alguns acreditam que Ketu lança aspectos como Rahu).
        3. Todos os planetas aspectam o sétimo signo de onde se encontram com um aspecto completo.
        4. Os planetas exteriores – Marte, Júpiter e Saturno possuem aspectos completos especiais em signos além do sétimo. Então, Rahu também possui aspectos especiais. Tal qual uma águia pode ver tudo de uma posição acima, os planetas exteriores estão a uma altura relativamente superior à terra e portanto adquirem essa habilidade de aspecto especial.
        5. Nenhum dos planetas pode aspectar a 2ª ou a 12ª casa de onde se encontra, a não ser Rahu que pode ver a segunda casa de onde se encontra (contada zodiacalmente ou 12ª casa contada em reverso. Elas são uma e a mesma).
        6. Nenhum dos planetas pode aspectar a 6ª e a 11ª casas, uma vez que são lugares de Danda (punição) e Hara (remoção deste planeta). Planetas/corpos não podem desejar punição e remoção deste universo material. O único que pode criar este desejo de remoção do mundo material é Ketu, portanto é o Moksha Karaka.
        7. Portanto, retirando-se os aspectos nas casas 2 e 12, a 6 e 11, e a 1 e a 7 que já foram explicadas acima, os planetas exteriores tem aspectos especiais nos signos remanescentes (3º, 4º, 5º, 8º, 9º e 10º).
        8. Marte aspecta o Chaturasra (4º e 8º signos) com um aspecto completo enquanto outros o fazem com um aspecto de 3/4.
        9. Júpiter e Rahu possuem aspecto completo no Prarabdhal Poorva Punya (bem ou mal realizado no nascimento passado como indicado pelas 5ª e 9ª casas). Enquanto Júpiter indica o Punya (boas ações da vida passada), Rahu indica o Paapa (más ações da vida passada). Todos os outros planetas aspectam a 5ª e 9ª casas com meio aspecto.
        10. Saturno possui um aspecto completo na Upachaya (Casas de crescimento 3ª e 10ª) e indica os recursos que serão utilizados na satisfação de desejos pessoais ou fraquezas (chamadas Shadripu). Todos os outros planetas aspectam as 3ª e 10ª casas com um quarto de aspecto.
      2. Rasi dristhi
        1. Rasi Drishti é uma qualidade permanente dos signos e são como prédios nos céus, encarando um ao outro.
        2. Os signos cardinais aspectam todos os signos fixos, exceto aquele adjacente.
        3. Os signos fixos aspectam todos os signos cardinais, exceto aquele adjacente.
        4. Os signos mutáveis aspectam-se mutuamente.

1.4.2.2 Todo signo que é aspectado por outro também o aspecta. Assim , se Touro aspecta Libra, então Libra lança aspecto a Touro.

1.4.2.3 Planetas posicionados em signos também aspectam outros planetas e signos na base do Rasi drishti. Entretanto, isto mostra que possuem conhecimento um do outro/ ou envolvimento em atividades similares.

1.5 Argala: Intervenção Planetária e por Signo

      Argala significa intervenção planetária/signo. Eu considero este o maior dos ensinamentos de Maharishi Parasara, sem o qual não podemos explicar as influências sutis ou escondidas de um planeta em determinada carta. A magnífica teoria do Argala estipula o seguinte:

  1. Todo planeta possui o poder de influenciar os assuntos de todos os outros planetas ou casas.

    Por exemplo, mesmo se um planeta não tem nada a ver com a segunda casa através de regência, aspecto, conjunção etc, isso não significa que a pessoa deverá parar de comer durante o dasa do dito planeta. É aqui que o conceito de Argala vem ao resgate e explica como o planeta possui uma sutil influencia tanto na segunda casa como no regente da segunda.

  1. Corpos (planetas, signos e Upagraha etc.) posicionados na segunda, quarta e 11ª casa a partir de qualquer planeta/signo possui Argala primária(intervenção direta) em seus assuntos.
  2. Corpos (planetas, signos e Upagraha etc.) posicionados na 12ª, 10ª e 3ª casas causam Virodha Argala (Obstrução à Argala) nos corpos (planetas/signos) na segunda, quarta e décima primeira casa respectivamente.
  3. Corpos (planetas, signos e Upagraha etc.) posicionados na 5ª e 8ª casa de qualquer planeta/signo possui argala secundária (intervenção direta, mas de menor influencia do que Argala primária) em seus assuntos.
  4. Corpos (planetas, signos e Upagraha etc.) posicionados na 9ª e 6ª casas causam virodha argala (obstrução à argala) nos corpos (planetas/signos) na 5ª e 8ª casas respectivamente.
  5. Argala especial também é causada pela presença de Maléficos na terceira casa. Anteriormente foi dito que a terceira casa age como uma obstrução à Argala da 11ª casa. Entretanto, se a terceira casa possui planetas maléficos nela, então eles podem, suo-moto, causar Argala. Tal Argala não possui nenhum tipo de intervenção.
  6. Argala Especial também é causada por planetas signos na 7ª Casa. Entretanto, ela pode ser removida por planetas/signos no Lagna, que causa Virodha Argala.
  7. A argala iniciando de Ketu está na direção inversa. Se Ketu estiver em um signo de onde a Argala estiver sendo determinada, ou se a Argala estiver sendo determinada para Ketu (propósitos Espirituais), então a conta das casas/signos acontece ao inverso.
  8. Se tanto Argala e Virodha são igualmente fortes, Bandana Yoga pode resultar. Se ambos são maléficos e iguais, a Bandana Yoga pode ser muito maléfica ou adversa, como confinamento após acidente (onde a 2ª e 12ª casas estão envolvidas mostrando o acidente na 2ª casa, uma Maraka, e o hospital na 12ª Casa). Poderá também indicar situações adversas em relação à educação e carreira se a 4ª e 10ª casas são envolvidas. Se os planetas são pólos diferentes em natureza, então a educação poderá não ter nada a ver com a carreira como um doutor qualificado trabalhando como um burocrata. Quinta e nonas casas envolvidas mostram situações muito adversas que também podem causar terrível má sorte, aprisionamentos etc. Se planetas benéficos estão envolvidos, então a ligação poderá se relacionar a permanecer em casa para escrever um livro, meditação ou outros significados de um confinamento benéfico. Um estudo cuidadoso sobre a natureza do planeta, signos envolvidos etc. tem que ser feito.
  9. Se o planeta causando Argala é inimigo da casa/planeta sobre consideração, irá prevenir o mesmo de alcançar seu propósito por mostrar direções diferentes. Isso não se aplica para a Argala especial na terceira casa, onde a presença de maléficos sozinhos deve constituir a Argala.
  10. Argala Especial da terceira casa dá sucesso em batalhas e competições enquanto a Argala da sétima casa pode ser a maior das bênçãos como uma esposa amorosa ou uma maldição como uma esposa sem caráter.
    1. Arudha (Pada): A imagem

    Arudha significa literalmente montar e se refere à ilusão (Maya) criada pelo reflexo de um signo sobre seu regente ou vice versa (i.e. a imagem do lorde refletida por seu signo).A primeira é chamada Rasi Arudha ou simplesmente Bhava Pada, enquanto a última é chamada Graha Arudha. Sem entrar nos detalhes de seu uso, nós devemos mostrar seu cálculo. O ponto mais importante a se notar é o que chamo de princípio Satya. De acordo com este princípio, a primeira e sétima casas de qualquer signo representa seu Satya ou verdade represntando Brahma e Shiva respectivamente. Maya (Ilusão) é Asat (não-verdade) e é divorciada de Sat (verdade). Sendo assim, o Arudha Pada representando ilusão nunca pode estar na primeira ou sétima de um signo. Nesse sentido, tanto Maharishi Parasara quanto Jaimini passaram as seguintes regras para o cálculo do Arudha.

  1. Para o Rasi Arudha, conte do signo para o signo ocupado por seu regente. Então conte a mesma quantidade de signos a partir do senhor. O signo que se chea é o Rasi Arudha.
  2. Para o Graha arudha, conte do planeta para seu próprio signo. Então conte a mesma quantidade de signos a partir de seu próprio signo. O signo que se chega é o Graha Arudha.
  3. Se acontecer do Arudha de um signo/planeta estar no mesmo signo, então a décima casa a partir daí deve ser tratada como o Arudha.
  4. Se acontecer do Arudha de um signo/planeta estiver no sétimo signo a partir dele, então a quarta casa a partir daí deve ser tratada como o Arudha (Divergência com a lição).
 
    1. Karaka: Os significadores
      1. Naisargika Karaka

    Todos os nove planetas possuem significações naturais (Naisargika) e são chamados de Naisargika Karaka. Este conceito de sete Sthira Karaka, oito Chara Karaka e nove Naisargika Karaka é fundamental para a Astrologia Védica e estaas figuras também são usadas para os períodos nos Sthira dasa etc. Lista detalhada de significadores naturais pode ser visto no Apêndice 1.

      1. Sthira Karaka

      Existem sete Sthira Karaka (significadores fixos) excluindo Rahu e Ketu. Sthira Karaka são utilizados para longevidade ou sobrevivência do corpo físico e os nodos não possuem pontos, sendo meros pontos no espaço. Portanto, os sete planetas a partir do Sol até Saturno são os Sthira Karaka (significadores fixos). Este conceito é utilizado no Ayur Dasa e algumas vezes é extendido para também para o Vimsottari Dasa quando para observar o tempo de sofrimento, morte e problemas de saúde de tais parentes.

 

 

      1. Chara Karaka

    Karaka significa significador e Chara significa temporário. Portanto, Chara Karaka refere-se para as significações temporárias obtidas pelos planetaas por virtude de sua longitude nos signos. Tanto Parasara quanto jaimini são unânimes em suas declarações sobre os oito planetas exceto Ketu como Chara Karaka. Chara Karaka refere-se às significações no presente nascimento e irão mudar no próximo nascimento dependendo da longitude dos planetas. Ketu sendo o significador de Moksha está excluído uma vez que o nascimento é indicativo do não alcançar do Moksha. 

    Nakshatra: As constelações

    Na procura de sabedoria tu és sábio; imaginando que a encontrou, tu és um tolo.

    Lor Chersterfield

2.1 As luzes das estrelas

    “Deus decorou os céus com constelações como pérolas em um corcel negro. A luz do Sol esconde-as de dia e todo o seu conhecimento é desvelado na escuridão da noite”.

    Parasara – Rig Veda 1.68.04.

      O Sol é considerado a alma do Universo e seu trânsito através das constelações trouxe mudanças no clima levando à metodologia adotada para a nomeação das deidades destes nakshatras. Por exemplo, Sol em Ardra resultou em um grande calor de verão e a divindade foi ‘Rudra’.

      Etimologicamente, Nakshatra pode ter duas origens primeiramente, Naksha significa noite e Trai significa proteger. Portanto, os Nakshatra com sua luz interior protegem os indivíduos na escuridão da noite (forças da ignorância e morte implicadas). Em segundo lugar, ‘Na’ refere-se à Lua assim como ‘Ra’ refere-se ao Sol e Kshetra significa área de regência ou controle. Portanto, Rasi refere-se aos doze signos com o Ra ou Sol tendo sobre-regência e controle e Nakshatra refere-se às constelações com Na ou a Lua tendo sobre-regência e controle.

2.2 Astavasava: Os oito iluminadores

Asta significa oito e vasava significa iluminadores: é deste iluminadores que o conhecimento iluminador do Jyotish (como derivado de Jyoti) surgiu.

Sathapatha Nrahmana 14.16:

Katame Vasava iti. Agnischa prithivi cha vayusch-antarikshamchaadityascha dyouscha chandramascha nakshatrani chaite Vasava aeteshu hidam sarve vasu hitam aete hidam sarve vasayante taddyudidam sarve vasayante tasmad Vasava iti.

O Sathapatha Brahmana dá a lista de oito Vasu, quais sejam: (1) Agni (2) Prithvi (3) Vayu (4) Antariksha (5) Aditya (6) Dyou (7) Chandrama e (8) Nakshatra. Prima facie estes possam ser um pouco contraditórios como Aditya também fora mencionado separadamente, mas aqui refere-se ao Sol, Chandra refere-se à Lua, Nakshatars são as mansões lunares ou as constelações e os cinco restantes representam os estados da existência material. Estes oito formam a primária fonte de iluminação sobre o ser. Eles representam as variáveis básicas que definem cada criação e sua fonte original de iluminação nos dez métodos definidos anteriormente como o propósito de Deva. O Vishnu Purana torna isto mais lúcido na definição dos Vasu como

  1. Apa – Jala Tatwa ou líquido
  2. Dhara – Prithvi Tatwa ou sólido
  3. Anila – Vayu Tatwa ou gás
  4. Anala – Agni Tatwa ou energia
  5. Dhruva – a estrela polar representando
  1. Akash Tatwa – o céu ou Vácuo e
  1. Fixidez do zodíaco i.e. a relevância do Ayanamsa
  1. Soma – A Lua
  1. Pratyusha – o amanhecer recorrente representando
    1. O Sol – causando o dia e a noite i.e a fonte de luz por detrás do amanhecer,
    1. Lagna – O ascendente ou o ponto no horizonte representando o self e é equivalente ao amanhecer.
  1. Prabhasa – esplendorosas luzes das estrelas que são agrupadas em 27/28 Nakshetra (Constelações).

   Esta lista é o primeiro princípio de Jyotish onde os corpos que criam todos os seres bem como os Guam através das diversas atividades são definidas. Isto inclui

  1. O Sol,
  2. A Lua,
  3. As constelações chamadas Nakshatra e
  4. O Pancha tatwa ou (a orientação/direção de) os cinco estados de existência de toda matéria e energia.

   Assim, os luminares (Sol e Lua), os cinco planetas, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno [regendo os cinco estados de energia (Agni), sólido (Prithvi), éter (Akash), líquido (Jala) e gasoso (Vayu) respectivamente] e as 27 (ou 28) mansões lunares chamadas Nakshatra formam o primeiro princípio. Nascimentos implicam criação e este é um princípio Satvico de sustentação dos seres nascidos ou criados. Este primeiro princípio fixa o número de corpos planetários que podem influenciar a vida e inclui os luminares (Sol e Lua) e os cinco plenates de Mercúrio à Saturno. Estes planetas não influenciam diretamente questões mas controlam-nas indiretamente pela alteração do Tatwa que eles controlam. Assim, os cinco planetas de Mercúrio à Saturno são usados para determinar mudanças no Tatwa e nós não precisamos de mais ou menos planetas uma vez que há cinco formas de existência de toda a matéria e energia.

2.3 Vinte e sete constelações

      A base para a divisão do zodíaco em 27 partes é o movimento sideral lunar onde o tempo levado pela Lua para atravessar 360º do zodíaco é aproximadamente 27 dias (arredondado para 27 dias). Uma vez que o movimento da Lua é a causa desta divisão, a Lua foi considerada o senhor de todas as 27 divisões chamadas Nakshatra. Cada nakshatra mede 13º20’ de arco e começam a partir do primeiro ponto de Áries.

2.3.1 Pada

     Uma vez que Dharma (os princípios naturais de verdade governando toda a criação) é chatuspada i.e. de quatro pés, cada um destes Nakshatra são dividos em outras quatro partes, cada uma medindo 3º20’ de arco, chamadas pada ou pé. Nove pada comprimidos de partes de três nakshatra medem um signo de 30º. Os quatro pada de cada nakshatra, na ordem regular, indicam os quatro ayana (i.e. objetivos de vida).

1º Pada: O primeiro pada de todo nakshatra governa o Dharma i.e. os princípios/ideais que são os deveres da classe guerreira dos kshatriyas. O primeiro pada de cada nakshatra refere-se a qualquer um dos três signos ferozes chamados Dharma Trikona (Áries, Leão ou Sagitário) no Navamsa, indicando este objetivo.

2º Pada: O segundo pada de cada nakshatra governa Artha, i.e. os Princípios/ideais que são os edveres da comunidade de troca vaishya. Artha significa finança e riqueza e o segundo pada de cada nakshatra refere-se a qualquer um os três signos terrosos chamados Artha Trikona (Touro, Virgem, Capricórnio) é o navamsa.

3º Pada: O terceiro pada de cada nakshatra governa Kama i.e os princípios/ideais que são os deveres dos Sudras/ classe trabalhadora. Kama significa desejos de todo tipo e implica em senso de gratificação. O terceiro pada de cada nakshatra refere-se a qualquer um dos signos aéreos chamados Kama Trikona (Gêmeos, Libra, Aquário) no Navamsa.

4º Pada: O quarto pada de cada nakshatra governa moksha i.e princípios/ideais de religiosidade/espiritualidade que são os deveres da classe Brahmin/ classe religiosa. Moksha refere-se especificamente à emancipação do ciclo de renascimento. O quarto pada de cada nakshatra refere-se a qualquer um dos signos aquáticos chamados de Moksha Trikona (Câncer, Escorpião, Peixes) no Navamsa.

      Este é o ayana ou objetivo e não deve ser confundido com casta, que é diferente. De uma maneira similar, os próprios nakshatras estão agrupados sobre os quatro objetivos de Dharma, Artha, Kama e Moksha. O nakshatra ayana indica a profissão ou direção de atividade no nível físico/mundano enquanto o pada indica o objetivo pessoal. Por exemplo, se o planeta está no 4º pada de Satabhisaj, pela tabela – nós descobrimos que o nakshatra ayana é ‘açougueiro’ onde o pada ayana é ‘moksha’. Tal combinação pode indicar uma pessoa espiritualizada como o santo Ramdas, o mestre espiritual de Shivaji, que era um açougueiro por profissão (atividade no mundo) mas possuía grande conhecimento, desapegado e espiritualizado. Assim, o nakshatra e pada ayana indicam os objetivos externos e internos, respectivamente.

2.3.2 Semideuses

Uma vez que as nakshatra foram criadas a partir do movimento lunar, elas são consideradas as noivas do deus Lua. Muito contrariamente à crença popular, as consortes simbolizam o desejo ou objetivo e não poderes secretos. Os poderes escondidos ou latentes (habilidades) são simbolizados pelo Astra (arma) dos semideuses presidindo sobre cada nakshatra. Uma descrição detalhada dos semideuses vai além do escopo deste livro e mitos etc. associados com eles devem ser estudados para seu entendimento, seus objetivos e forças etc. Por exemplo, Prajapati o valoroso, criador de todos os seres é o semideus Rohini, implicando que o nakshatra Rohini esta associado com conhecimento de criação e portanto crescimento. A arma de Prajapati é um rosário indicando que o nakshatra possui habilidades associadas com mantra e a ciência da criação de sons de sílabas. Está em acordo com o antigo ditado que diz que toda criação veio do som – ‘em princípio era a palavra’. Similarmente, Aswini Kumar, os deuses gêmeos da saúde presidem sobre o Aswini nakshatra. As escrituras ensinam que Narayana ensinou astrologia aos Awini kumar. Portanto astrologia é associada com o Aswini nakshatra. Dentre os cinco irmãos Pandavas (ref. Mahabharata) os dois mais jovens nasceram para Madri como bênçãos de Aswini Kumar. Um deles foi adepto da astrologia e o outro um cavaleiro (note as referências a Aswini na tabela). Dessa maneira os poderes escondidos ou habilidades são conferidos aos indivíduos por suas divindades do Nakshatra e eles estão qualificados a fazerem isso por serem um dos oito Vasu (Astavasava).

2.3.3 Guna

      Estes são facilmente entendíveis como níveis de energia, e são de três tipos (i) Rajas ou energia alta indicando uma disposição apaixonada ou criação; (ii) Tamas ou baixa energia indicando depressão, dissolução e morte e (iii) Satwa ou energia balanceada indicando disposição controlada e sustentação. Assim como os signos, os nakshatra são também agrupados nas três categorias de cardinais, fixos e mutáveis, na base de seus gunas sendo Rajas, Tama ou Satwa, nesta ordem, iniciando de Aswini. As divindades presidindo sobre estes três gunas são Brahma (Rajas), Shiva (Tamas) e Vishnu (Satwa). Eles são o Trimurti ou as três formas principais de Deus.

2.3.4 Mentalidade

      Esta são as três divisões baseadas na atitude mental. A classificação é Deva, Rakshasa e Manushya. Deva domina e são grandes desfrutadores. Brahma aconselha ‘da’ para dama, implicando auto-controle para eles. Rakshasa são os que batalham para alcançar algo e provarem sua superioridade. Eles podem ser cruéis e egoístas quando se trata de questões pessoais. Brahma aconselha ‘da’ para ‘daya’ ou piedade como aprendizado espiritual. Manushya são os mais fracos das três categorias e são ambiciosos, sempre chorando por suas necessidades e apegando-se às suas posses. Brahma aconselha ‘da’ ou ‘daana’ i.e. dar ou doar coom uma mensagem espiritual para estas almas. ‘da’ é o beejakshara de ‘Dattatreya’ o grande mestre espiritual.

2.3.5 Sexo

      Os nakshatra são ainda mais profundamente classificados como machos, fêmeas ou netros em relação à base de sua atitude sexual. Sexos opostos atraem e o sexo neutro é sempre desapegado – deve se ter em mente. Outros detalhes como partes e ‘dasa’ ou humanos devem ser aprendidos do Nara Chakra provido neste livro.

2.4 Vinte e oito Nakshatra

      Observa-se que a Lua na verdade leva 27 dias, 7 horas e 38 minutos para completar um trânsito sobre o zodíaco sideral. Os sábios Védicos descortinaram uma maravilhosa maneira de acomodar este tempo adicional de 7 horas e 28 minutos ao definirem um nakshatra intercalado chamado ‘Abhijit’. Este nakshatra foi usado para definir a espiritualidade Vishnu. O muhurta associado a este nakshatra rege ao meio-dia e todos os males são destruídos. O Sol ao meio dia, em qualquer signo, está na décima casa e portanto, este nakshatra foi colocado em Capricórnio, a décima casa do zodíaco natural entre o 21º Nakshatra Uttarasadha e o próximo, Sravana.

      O tamanho de Abhijit foi definido ao comprimir-se o último quarto (3º20’) de Uttarasadha e o primeiro um quinto da parte (0o53’20’’) de Sravana. Assim, o tamanho é de 4º13’20’’, de Capricórnio 6º40’ a 10º53’20’’. Ele é utilizado no Kalachakra e Sarvatobhadra Chakra além de muitos outros nakshatra dasa.

      A divindade de Abhijit nakshatra é Hari, o Senhor invencível. Aratus, o astrônomo grego opinou que ‘Hercules a constelação celestial era uma estranha’ portanto claramente se referindo a seu tamanho peculiar etc. deste nakshatra especial que perturba o equilíbrio do sistema de 27 nakshatra.

Om Tat Sat